Navegar por esta matéria
Uma câmera instalada para proteger a casa também é um computador conectado à internet, com acesso a imagens, microfone e rede local. Por isso, a Índia passou a exigir avaliação de hardware e software antes da venda de equipamentos de vigilância conectados. O levantamento da Reuters expôs uma diferença grande entre a regra e o que aparecia nos marketplaces — e levou as duas maiores plataformas de comércio eletrônico do país a revisar seus catálogos.
O que a investigação encontrou?
A Reuters examinou aproximadamente 770 anúncios de câmeras de segurança conectadas à internet na Amazon India e na Flipkart. Mais de 700 modelos não foram localizados na base pública do Bureau of Indian Standards, o BIS, que reúne marcas e equipamentos aprovados.
Estar fora dessa base significa que o modelo não tinha a aprovação pública exigida no momento da consulta. A análise incluiu produtos de diferentes marcas e vendedores, entre eles modelos associados a Hikvision, Dahua e à indiana Maizic. O levantamento não foi um teste técnico de cada aparelho e não permite concluir que todos tinham a mesma falha ou origem.
Por que a Índia passou a testar câmeras conectadas?
Desde abril de 2026, fabricantes precisam submeter hardware e software a testes antes de vender câmeras de vigilância conectadas no país. Os requisitos essenciais de segurança foram anunciados em 2024 e incorporados ao processo de certificação administrado pelo BIS.
A medida procura reduzir riscos como credenciais fracas, transmissão indevida de imagens, software vulnerável e acesso remoto não autorizado. O BIS mantém formatos de relatório para os ensaios e listas públicas usadas para verificar se um modelo recebeu a autorização correspondente.
O que Amazon e Flipkart fizeram depois do levantamento?
Duas pessoas familiarizadas com as verificações disseram à Reuters que Amazon e Flipkart começaram a revisar anúncios publicados por vendedores e marcas e que ofertas sem aprovação seriam removidas. A Amazon não comentou formalmente a reportagem, e a Flipkart não respondeu ao pedido de comentário.
Ao menos 12 anúncios haviam sido retirados desde a terça-feira anterior à publicação, incluindo modelos da marca EZVIZ. Centenas de ofertas ainda apareciam online na quinta-feira, e uma fonte disse que a Amazon havia decidido remover uma página dedicada à marca Imou, da Dahua.
Câmera sem licença é o mesmo que câmera hackeada?
Não. A ausência de aprovação regulatória é um problema de conformidade e impede afirmar que o produto passou pelos testes obrigatórios. Ela não comprova que uma unidade específica enviou imagens ao exterior, contém malware ou já foi invadida.
O risco existe porque câmeras conectadas podem transmitir vídeo, receber atualizações e funcionar como entrada para outros dispositivos da rede. Mas uma acusação de espionagem exige evidência técnica própria. A reportagem cita preocupações oficiais e um caso separado de câmeras com chip celular usadas perto de instalações militares; não atribui esse episódio a todos os modelos encontrados nos marketplaces.
Como o consumidor pode reduzir o risco?
Antes de comprar, é recomendável conferir o número exato do modelo na base do órgão regulador local, não apenas o nome da marca. Também vale verificar por quanto tempo o fabricante promete atualizações, se exige troca da senha inicial e se oferece autenticação em duas etapas para o acesso remoto.
Depois da instalação, a câmera deve receber firmware atualizado, senha exclusiva e, quando possível, ficar em uma rede separada dos computadores e celulares principais. Funções de acesso pela internet que não serão usadas podem ser desativadas. Certificação reduz incerteza, mas não substitui configuração segura nem correções futuras.
O que ainda falta esclarecer?
O BIS não respondeu à Reuters sobre os anúncios, e as plataformas não divulgaram uma contagem final de itens removidos. Também não foi publicada uma lista completa de vendedores, volumes de vendas ou consumidores que compraram cada modelo antes da revisão.
O próximo passo verificável será comparar o catálogo das plataformas com a base atualizada de aprovações e observar se os equipamentos reaparecem depois de receber certificação. Até lá, o dado confirmado é a discrepância documentada pela investigação, não uma prova de comprometimento de todas as câmeras listadas.
Perguntas e respostas
Respostas diretas para as dúvidas mais pesquisadas sobre este tema.
Quantas câmeras sem aprovação foram encontradas?
A Reuters encontrou mais de 700 modelos ausentes da base pública do BIS em uma amostra de aproximadamente 770 anúncios de câmeras conectadas na Amazon e na Flipkart na Índia.
Essas câmeras estavam espionando os compradores?
A investigação não demonstrou isso. Ela identificou modelos sem a aprovação pública exigida; comprovar espionagem ou invasão exige análise técnica específica de cada equipamento.
Amazon e Flipkart retiraram todos os produtos?
Não havia confirmação de retirada total. Ao menos 12 anúncios tinham saído do ar, mas centenas ainda apareciam online quando a Reuters publicou a reportagem.
A regra indiana vale para câmeras vendidas no Brasil?
Não diretamente. Cada país tem seu próprio processo regulatório. No Brasil, o consumidor deve conferir homologação e requisitos aplicáveis ao modelo, além das práticas de segurança do fabricante.
Continue pesquisando
Os links abaixo levam às fontes usadas para conferir as informações deste artigo.
