Califórnia exige que advogados verifiquem e revelem uso de IA

SB 574 foi sancionada em 30 de setembro e entra em vigor em 2027; texto preserva responsabilidade humana, protege dados sigilosos e impede que árbitros deleguem decisões à IA.

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Ilustração conceitual de uma balança jurídica diante de documentos digitais e um núcleo abstrato de inteligência artificial em azul e roxo
Ilustração editorial original da FatoByte sobre regras para o uso de inteligência artificial no trabalho jurídico. A cena é conceitual, não representa um tribunal, processo, documento oficial ou sistema real.
Navegar por esta matéria
  1. O que a SB 574 determina?
  2. Quando o uso da IA precisa ser revelado?
  3. Como ficam os dados confidenciais?
  4. O que muda para árbitros?
  5. A lei proíbe advogados de usar ChatGPT ou outras IAs?
  6. A regra vale no Brasil?
  7. Perguntas e respostas
  8. Fontes consultadas
Leitura8 min
Pontos explicados6
Fontes consultadas3

Casos de petições com decisões e citações inventadas por chatbots levaram tribunais a aplicar sanções e criar regras locais. A Califórnia transformou parte desses deveres em lei estadual. O texto não proíbe inteligência artificial no escritório: ele define quem responde pelo resultado e cria obrigações para confidencialidade, revisão e transparência.

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O que a SB 574 determina?

A lei acrescenta à legislação profissional da Califórnia a regra de que um advogado não pode delegar a prática do direito à inteligência artificial generativa. O profissional continua responsável por competência, diligência, precisão e decisões tomadas em nome do cliente.

O texto exige medidas razoáveis para verificar a exatidão do conteúdo produzido com IA, incluindo casos judiciais e referências legais, e determina a correção de material falso ou alucinado usado pelo advogado. A obrigação vale para o trabalho, não apenas para a escolha de uma ferramenta específica.

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Quando o uso da IA precisa ser revelado?

Documentos apresentados a um tribunal devem informar quando inteligência artificial generativa foi usada em sua preparação. O advogado também precisa ler pessoalmente e verificar as autoridades citadas nos papéis que assina, mesmo que o sistema tenha produzido apenas uma parte do texto.

A lei ainda manda considerar a divulgação ao público quando conteúdo jurídico produzido com IA é publicado fora do processo. Isso não significa que toda correção ortográfica precise receber um rótulo automático; a aplicação prática dependerá do tipo de uso e da interpretação das novas regras.

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Como ficam os dados confidenciais?

Advogados não poderão inserir informações confidenciais, identificáveis ou não públicas em um sistema de IA generativa quando o acesso não estiver limitado ao profissional e às pessoas autorizadas que também têm dever de sigilo.

A regra aborda um risco diferente da alucinação. Uma resposta pode estar correta e ainda assim expor dados de um cliente durante o processamento, armazenamento ou treinamento do serviço. Escritórios terão de entender as condições de retenção, compartilhamento e acesso antes de enviar documentos a uma ferramenta.

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O que muda para árbitros?

A SB 574 impede que um árbitro delegue à IA generativa sua função de decidir uma disputa. O sistema pode ajudar em tarefas permitidas, mas a análise e a decisão devem continuar sob responsabilidade humana.

A distinção é importante porque arbitragens produzem consequências jurídicas para as partes mesmo fora de um tribunal tradicional. A lei busca evitar que uma decisão vinculante seja atribuída a um modelo cujo raciocínio, dados e erros não sejam plenamente verificáveis.

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A lei proíbe advogados de usar ChatGPT ou outras IAs?

Não. O texto regula o uso, não bane uma marca ou categoria inteira de ferramenta. Pesquisa inicial, organização de documentos e criação de rascunhos podem continuar, desde que o profissional cumpra deveres de sigilo, revisão, correção e divulgação aplicáveis.

A Reuters observa que parte das obrigações já existia em regras éticas e processuais, como apresentar argumentos sustentados pelo direito e proteger informações do cliente. A lei cria uma referência explícita para IA generativa e pode facilitar sanções quando esses deveres forem ignorados.

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A regra vale no Brasil?

Não. A SB 574 regula profissionais e procedimentos sob a legislação da Califórnia e começa a produzir efeitos em 1º de janeiro de 2027. Ela não altera diretamente as regras da advocacia, dos tribunais ou da arbitragem brasileira.

O caso pode, porém, influenciar políticas de escritórios, fornecedores e tribunais em outros lugares. Os pontos centrais — responsabilidade humana, checagem de citações, proteção de dados e transparência — também são úteis como referência de governança, mas não substituem a legislação e as normas profissionais locais.

Perguntas e respostas

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Quando a lei da Califórnia começa a valer?

A SB 574 foi sancionada em 30 de setembro de 2026 e, sem cláusula de urgência, entra em vigor em 1º de janeiro de 2027.

Advogados estão proibidos de usar IA generativa?

Não. Eles podem usar a tecnologia como apoio, mas não podem transferir a ela a prática jurídica e precisam cumprir deveres de verificação, sigilo, correção e divulgação.

A lei exige conferir citações criadas pela IA?

Sim. O profissional deve ler e verificar pessoalmente as autoridades citadas nos documentos que assina e corrigir conteúdo falso ou alucinado que pretenda usar.

A SB 574 vale para advogados brasileiros?

Não diretamente. É uma lei estadual dos Estados Unidos. No Brasil, profissionais devem seguir as normas locais, contratos de confidencialidade e regras de proteção de dados aplicáveis.

Fontes consultadas

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