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A memória de um celular precisa guardar mais dados sem ocupar mais espaço nem consumir energia demais. A resposta da CXMT é aproximar as estruturas que formam cada célula e repetir etapas de litografia para desenhar padrões menores. O anúncio é relevante para a indústria chinesa de semicondutores, mas não permite concluir sozinho que aparelhos ficarão mais baratos, rápidos ou disponíveis fora da China.
O que a CXMT colocou em produção?
Segundo a Reuters, a CXMT anunciou no domingo, 20 de setembro, que sua plataforma tecnológica de quinta geração já alcançou produção em massa. A empresa fabrica DRAM, a memória de trabalho temporária usada por celulares, computadores e outros equipamentos para manter aplicativos e dados ativos.
Os primeiros produtos destacados são dois chips LPDDR5X de 24 gigabits, oferecidos em formatos de encapsulamento diferentes para projetos de aparelhos portáteis. A CXMT afirma que os dois já estão em produção. A reportagem não identifica fabricantes de celulares que tenham confirmado o uso das peças.
24 gigabits significam 24 GB de memória?
Não. O anúncio usa gigabits, abreviados como Gb, para medir a capacidade de cada chip. Como oito bits formam um byte, 24 Gb correspondem a 3 gigabytes. Um aparelho pode combinar vários chips ou matrizes para chegar à capacidade total anunciada ao consumidor.
A CXMT compara os novos componentes com equivalentes anteriores de 16 Gb. Por isso, a passagem para 24 Gb representa 50% mais dados por chip. Ela não significa, por si só, que todo celular terá 50% mais RAM ou que o desempenho de aplicativos crescerá na mesma proporção.
Como o processo chegou a 11,95 nanômetros?
A fabricante diz ter reduzido para 11,95 nanômetros o espaçamento de estruturas importantes na área que armazena dados. Quanto mais próximas elas ficam, maior pode ser a densidade da memória e mais componentes cabem na mesma área de silício.
Para produzir padrões tão estreitos, a plataforma usa quadruple patterning, técnica que repete etapas de fabricação para dividir um desenho em padrões menores. A CXMT também relata ter empregado simulações computacionais e trabalho conjunto com fabricantes chineses de equipamentos. A alegação de paridade com os nós mais avançados em produção veio de um executivo da própria companhia e não foi apresentada como auditoria independente.
Por que 50% mais chips por wafer não é o mesmo que rendimento?
A CXMT afirma que a nova plataforma produz ao menos 50% mais dies brutos por wafer que a geração anterior, usando chips de 8 Gb como referência. Die é o pequeno bloco de circuito recortado do disco de silício e depois testado e encapsulado.
A conta bruta mede quantos blocos potencialmente cabem no wafer antes de retirar os defeituosos. Rendimento, ou yield, é a parcela que passa pelos testes. Portanto, o número indica uma melhora de densidade na comparação escolhida, mas não revela quantas unidades vendáveis saem de cada wafer nem o custo final de fabricação.
O que a novidade pode mudar nos celulares?
LPDDR5X é uma família de memória de baixo consumo criada para mover dados rapidamente em dispositivos compactos. Chips mais densos permitem acomodar mais capacidade em menos área, algo útil para multitarefa, câmeras, jogos e recursos de inteligência artificial executados no aparelho.
A chegada de outro fornecedor em escala também pode ampliar as opções dos fabricantes. Ainda assim, desempenho, autonomia e preço dependem do processador, da velocidade configurada, do encapsulamento, do rendimento industrial, dos contratos de fornecimento e do projeto do celular. A CXMT não anunciou preços, clientes nem lançamento de aparelhos com os novos chips.
Por que o anúncio tem peso estratégico?
O mercado mundial de DRAM é liderado por Samsung, SK Hynix e Micron. Uma plataforma chinesa mais densa pode fortalecer uma quarta fonte de memória, especialmente para empresas que procuram fornecedores locais ou desejam diversificar compras.
O avanço ocorre enquanto controles de exportação dos Estados Unidos limitam desde 2022 o acesso chinês a determinados equipamentos e softwares de fabricação de chips. A produção em massa é um marco industrial declarado; competitividade global, volume, qualidade e adoção comercial precisarão ser avaliados quando produtos e resultados de fabricação chegarem ao mercado.
Perguntas e respostas
Respostas diretas para as dúvidas mais pesquisadas sobre este tema.
A memória de 24 Gb já está em celulares à venda?
A CXMT diz que os chips entraram em produção em massa, mas não anunciou modelos de celular nem fabricantes que já os utilizem.
24 Gb são iguais a 24 GB?
Não. 24 gigabits equivalem a 3 gigabytes por chip. A capacidade total de um aparelho depende de quantos componentes ou matrizes o projeto combina.
O processo garante celulares mais baratos?
Não. Maior densidade pode melhorar eficiência industrial, mas preço depende de rendimento, volume, encapsulamento, contratos, concorrência e do restante do aparelho.
Os ganhos foram verificados de forma independente?
A entrada em produção e as métricas foram anunciadas pela CXMT. A reportagem da Reuters atribui os números à empresa e não apresenta uma auditoria independente de rendimento ou desempenho.
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