Golpe com voz clonada por IA desvia €95 milhões, relata Reuters

Fraudadores teriam combinado mensagem falsa e imitação de voz para autorizar transferências da Fideuram; banco não comentou e o caso segue sob investigação.

WhatsApp
Ilustração conceitual de um celular, uma onda de voz clonada e fluxos financeiros desviados por uma rede digital azul e roxa
Ilustração editorial original da FatoByte sobre fraude por imitação de voz. A cena é conceitual, não reproduz pessoas, mensagens, sistemas bancários nem uma fotografia oficial do caso.
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  1. O que foi relatado sobre o golpe?
  2. Como o dinheiro teria saído do banco?
  3. Quanto foi recuperado?
  4. O que está confirmado e o que segue em investigação?
  5. Por que reconhecer a voz deixou de ser suficiente?
  6. Como empresas podem reduzir esse risco?
  7. Perguntas e respostas
  8. Fontes consultadas
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Uma mensagem que parecia vir do principal executivo de um banco, uma ligação com a voz de um advogado conhecido e um pedido urgente de transferência formaram uma cadeia de confiança falsa. O episódio atribuído à Fideuram mostra por que áudio convincente já não pode funcionar como prova de identidade — e por que controles internos precisam confirmar a operação, não apenas a aparência de quem a solicita.

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O que foi relatado sobre o golpe?

Segundo a Reuters, a fraude começou em fevereiro, quando Paolo Molesini, então presidente da Fideuram, recebeu uma mensagem no WhatsApp que aparentava ter sido enviada por Carlo Messina, diretor-executivo do Intesa Sanpaolo. O texto pedia ajuda urgente para uma operação no exterior.

Uma ligação posterior, supostamente feita por um sócio sênior de um escritório de advocacia conhecido, teria confirmado a instrução. As fontes disseram que os criminosos usaram IA para reproduzir a voz do advogado. A reportagem não informa qual ferramenta foi usada nem apresenta uma perícia pública do áudio.

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Como o dinheiro teria saído do banco?

Acreditando que a solicitação era legítima, Molesini orientou a área financeira a realizar uma série de transferências para contas no exterior, principalmente na China e em Hong Kong. A operação somou €95 milhões, equivalente a cerca de US$ 108 milhões pela cotação citada na reportagem.

O caso se parece com a fraude conhecida como falsa ordem de executivo: criminosos criam urgência, imitam pessoas com autoridade e tentam fazer o fluxo normal de pagamentos trabalhar a favor deles. A voz clonada teria reforçado uma história iniciada pela mensagem, mas não foi o único elemento de engenharia social.

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Quanto foi recuperado?

A Fideuram teria percebido irregularidades rapidamente e acionado bancos e autoridades de vários países. A cooperação entre China, Portugal e Itália permitiu recuperar aproximadamente €53 milhões, enquanto cerca de €36 milhões ainda não haviam sido localizados quando a Reuters publicou a apuração.

Os números são aproximados e não fecham uma contabilidade definitiva dos €95 milhões. Parte dos recursos teria passado por uma rede de contas e sido convertida em criptomoedas, o que pode dificultar o rastreamento e fazer o saldo recuperado mudar ao longo do processo.

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O que está confirmado e o que segue em investigação?

A Reuters atribuiu os detalhes a duas pessoas familiarizadas com o caso. Intesa Sanpaolo e Fideuram recusaram-se a comentar. A Promotoria de Milão colocou sob investigação um estrangeiro que vive fora da Europa por suspeita de fraude informática, de acordo com uma das fontes.

Molesini e os demais executivos da Fideuram não estavam sob investigação. O ex-presidente deixou o cargo em março alegando motivos pessoais, e o banco não relacionou oficialmente a saída ao episódio. Não há, até agora, conclusão judicial sobre autoria ou responsabilidade.

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Por que reconhecer a voz deixou de ser suficiente?

Sistemas de síntese conseguem produzir fala parecida com a de uma pessoa a partir de amostras disponíveis em entrevistas, reuniões ou redes sociais. O FBI alerta que mensagens de voz geradas por IA podem soar quase idênticas ao contato real e ser combinadas com pequenas alterações em nomes, números e perfis.

No relatório anual de 2025, o IC3, centro de denúncias do FBI, registrou mais de 22 mil queixas com relação a IA e perdas ajustadas acima de US$ 893 milhões nos Estados Unidos. O documento não mede o caso italiano, mas mostra que conteúdo sintético já integra diferentes modalidades de fraude financeira.

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Como empresas podem reduzir esse risco?

Pedidos excepcionais de transferência devem ser confirmados por um canal independente e por um número já conhecido, nunca pelo contato enviado na própria mensagem. Dupla aprovação, limites por beneficiário, pausa para operações incomuns e verificação presencial ou por vídeo com desafio combinado reduzem a dependência de uma única voz.

A equipe também precisa ter permissão para interromper uma solicitação urgente, inclusive quando ela parece vir da direção. Se a transferência já ocorreu, avisar imediatamente o banco e as autoridades aumenta a chance de congelar valores antes que passem por outras contas ou sejam convertidos.

Perguntas e respostas

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O banco confirmou publicamente a fraude?

Intesa Sanpaolo e Fideuram recusaram-se a comentar à Reuters. Os detalhes e valores foram atribuídos pelo veículo a duas fontes familiarizadas com o caso.

A IA invadiu o sistema do banco?

Não há indicação pública de invasão técnica. O relato descreve engenharia social: mensagem falsa e voz clonada teriam levado pessoas autorizadas a ordenar as transferências.

Todo o dinheiro foi perdido?

Não. Cerca de €53 milhões teriam sido recuperados. Aproximadamente €36 milhões continuavam desaparecidos, e os valores ainda podem mudar com a investigação.

Como confirmar uma ordem urgente de pagamento?

Use um telefone ou canal corporativo conhecido, confirme com mais de uma pessoa e siga a dupla aprovação. Voz, foto e nome exibidos em uma mensagem não bastam para provar identidade.

Fontes consultadas

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