Google firma no Brasil seu maior acordo de remoção de carbono

Projeto em lavouras de arroz do Sul combina corte de metano e rocha vulcânica, com metas climáticas para 2030 e 2040.

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Ilustração conceitual de uma lavoura de arroz no Sul do Brasil com partículas minerais absorvendo carbono no solo
Ilustração editorial original da FatoByte sobre o projeto climático do Google e da Terradot. A cena é conceitual e não representa uma operação real ou fotografia oficial.
Navegar por esta matéria
  1. O que foi anunciado no Brasil?
  2. Como a irrigação pode diminuir o metano do arroz?
  3. O que a rocha vulcânica faz no solo?
  4. Por que combinar metano e dióxido de carbono?
  5. Quando o projeto deve ganhar escala?
  6. Quais limites ainda precisam ser acompanhados?
  7. Perguntas e respostas
  8. Fontes consultadas
Leitura8 min
Pontos explicados6
Fontes consultadas2

A mesma área agrícola será usada para enfrentar dois gases que aquecem o planeta em ritmos diferentes. O metano tem efeito intenso no curto prazo, enquanto o dióxido de carbono permanece por muito mais tempo. A proposta reúne redução de emissões e remoção de carbono, mas seu impacto dependerá da execução em escala, da medição independente e da comprovação de que os benefícios anunciados realmente ocorreram.

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O que foi anunciado no Brasil?

Google e Terradot firmaram um acordo para implantar soluções climáticas em lavouras de arroz no Rio Grande do Sul. Segundo as empresas, o projeto ocupará mais de 200 mil hectares e é a maior compra de remoção de carbono já anunciada pelo Google.

A parceria prevê dois resultados contratados em calendários distintos: 1 milhão de toneladas de CO₂ equivalente em metano evitado até 2030, calculadas pelo potencial de aquecimento em 20 anos, e 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono removido de forma durável até 2040. O valor financeiro não foi divulgado.

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Como a irrigação pode diminuir o metano do arroz?

Campos de arroz permanecem alagados por longos períodos. Com pouco oxigênio no solo, microrganismos produzem metano. A Terradot pretende aplicar a técnica de molhar e secar alternadamente, conhecida pela sigla AWD, drenando os campos em intervalos planejados.

O Google afirma que a prática pode reduzir as emissões e o consumo de água, além de diminuir custos para produtores. Esses benefícios ainda terão de ser medidos em cada área: tipo de solo, clima, manejo e adesão dos agricultores podem alterar o resultado.

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O que a rocha vulcânica faz no solo?

Na segunda frente, rocha vulcânica naturalmente disponível será triturada e espalhada nos mesmos campos. Quando seus minerais reagem com água e dióxido de carbono, aceleram um processo natural chamado intemperismo de rochas.

A reação transforma o carbono em compostos que podem permanecer armazenados por longos períodos. O método é chamado de intemperismo aprimorado de rochas. A duração, a velocidade e a quantidade removida precisam ser estimadas com amostras, modelos e verificação, em vez de apenas calcular quanto material foi aplicado.

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Por que combinar metano e dióxido de carbono?

Reduzir metano pode produzir um benefício climático relativamente rápido porque esse gás permanece menos tempo na atmosfera. Já a remoção de CO₂ começa mais devagar, mas busca compensar parte do aquecimento duradouro associado ao carbono acumulado.

A proposta é fazer uma ação sustentar a outra ao longo do tempo: o corte de metano teria efeito mais próximo, enquanto a rocha se dissolve e começa a capturar carbono. Isso não torna as duas medidas equivalentes nem elimina a necessidade de reduzir emissões na fonte.

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Quando o projeto deve ganhar escala?

A Reuters informa que os testes começam em 2026 e que a expansão comercial é planejada para 2028. A meta de metano vai até 2030; a de remoção de carbono, até 2040. O cronograma mostra que o anúncio é o início de um programa de longa duração.

O Google espera que o modelo possa ser repetido em outras regiões produtoras de arroz. Antes disso, será necessário demonstrar operação logística, participação dos agricultores, redução mensurável de metano e remoção adicional de carbono em grande escala.

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Quais limites ainda precisam ser acompanhados?

O custo da remoção continua acima da meta de US$ 100 por tonelada citada como referência para ampliar o mercado. Também há emissões associadas à extração, trituração e ao transporte da rocha; elas precisam entrar no balanço final do projeto.

Créditos climáticos só representarão benefício real se houver medição confiável, adicionalidade e ausência de dupla contagem. O acordo confirma financiamento e metas, mas não comprova antecipadamente que os 2 milhões de toneladas previstos serão atingidos.

Perguntas e respostas

Respostas diretas para as dúvidas mais pesquisadas sobre este tema.

O projeto já removeu 1 milhão de toneladas de carbono?

Não. A remoção de 1 milhão de toneladas de CO₂ é uma meta para 2040. A eliminação de metano, medida como 1 milhão de toneladas de CO₂ equivalente, tem prazo até 2030.

Onde o projeto será realizado?

Em mais de 200 mil hectares de lavouras de arroz no Sul do Brasil, com implantação concentrada no Rio Grande do Sul.

Espalhar rocha no campo captura carbono imediatamente?

Não de uma só vez. Os minerais reagem gradualmente com água e CO₂, e a quantidade removida precisa ser medida e verificada ao longo do tempo.

O acordo substitui o corte de emissões do Google?

Não. Remoção e créditos podem complementar a redução direta de emissões, mas não eliminam a necessidade de diminuir o impacto das próprias operações e da cadeia de fornecedores.

Fontes consultadas

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