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Satélites costumam escolher entre movimentos rápidos, que gastam mais combustível, e correções lentas, porém eficientes. A missão da NASA tenta colocar as duas opções no mesmo veículo sem duplicar tanques e tubulações. Se der certo, pequenos satélites poderão reservar mais massa e volume para instrumentos — mas os ensaios concluídos até agora foram em solo.
O que a NASA terminou de testar?
Engenheiros do Marshall Space Flight Center submeteram o hardware de voo a testes de vazamento com hélio pressurizado, vácuo térmico e rotação. O primeiro verifica vedações e linhas; o segundo simula ausência de ar e mudanças de temperatura; o terceiro mede equilíbrio, centro de massa e estabilidade.
Com essa etapa concluída, a equipe entra nas verificações finais, na integração dos painéis solares e no transporte até o local de lançamento. Passar pelos ensaios reduz riscos conhecidos, mas não garante que todos os componentes se comportarão da mesma forma depois da separação em órbita.
Como dois motores usam o mesmo tanque?
O sistema guarda um único propelente de baixa toxicidade chamado ASCENT. Parte dele alimenta um motor de combustão, capaz de produzir impulso maior em pouco tempo; outra parte chega a propulsores elétricos por eletropulverização, adequados a mudanças pequenas e eficientes ao longo de períodos maiores.
A proposta não é ligar os dois modos ao mesmo tempo, mas escolher o perfil mais adequado para cada manobra. Compartilhar o reservatório pode eliminar massa, volume e complexidade associados a dois conjuntos completos de combustível e tubulação.
Para que servem os modos químico e elétrico?
O motor químico deve executar movimentos curtos que exigem resposta rápida. A propulsão elétrica fornece menos força instantânea, mas aproveita melhor o propelente e pode ajustar a órbita aos poucos. Juntas, as duas capacidades ampliam as opções de navegação de um satélite pequeno.
Depois da verificação inicial em órbita, a equipe pretende alternar manobras químicas e elétricas para elevar e reduzir a altitude. O objetivo é demonstrar o conceito integrado, e não transportar uma carga científica principal ou substituir imediatamente sistemas maiores.
Quando e por quanto tempo será a missão?
A NASA informa que o CubeSat está manifestado para lançamento não antes de 1º de outubro de 2026 como carga em um Falcon 9 a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. Cronogramas espaciais podem mudar por veículo, clima ou prontidão da carga.
O plano é operar por nove meses a cerca de 325 milhas, ou aproximadamente 523 quilômetros, acima da Terra. Só após a separação, a ativação e os primeiros comandos será possível dizer que o satélite entrou de fato na fase de demonstração em voo.
O combustível ASCENT já foi ao espaço?
Sim. A missão Green Propellant Infusion Mission, lançada em 2019, acionou cinco propulsores de um newton e demonstrou controle de atitude e mudança de inclinação orbital com o ASCENT, então conhecido como AF-M315E. O histórico reduz parte do risco associado ao propelente.
A novidade agora é a arquitetura dual em um CubeSat, com o mesmo tanque atendendo combustão e eletropulverização. Experiências anteriores também mostram que herança tecnológica não elimina falhas: a Lunar Flashlight enfrentou desempenho reduzido em propulsores alimentados com ASCENT e encerrou a missão em 2023.
Por que a demonstração importa?
Massa e volume são recursos escassos em pequenos satélites. Se um sistema comum entregar manobras rápidas e correções eficientes, projetistas poderão usar o espaço liberado para sensores, comunicação ou energia e considerar lançadores menores.
Esses benefícios continuam condicionais. A missão precisa comprovar partidas, controle de fluxo, estabilidade e repetição das manobras em órbita. Mesmo um voo bem-sucedido será uma etapa de maturação, não uma garantia de adoção imediata por todas as missões.
Perguntas e respostas
Respostas diretas para as dúvidas mais pesquisadas sobre este tema.
O CubeSat já está no espaço?
Não. Em 25 de setembro, a NASA informou que os testes ambientais de solo haviam terminado e que o lançamento estava previsto para não antes de 1º de outubro de 2026.
Os dois motores funcionam ao mesmo tempo?
O plano é alternar entre o motor químico de alto impulso e os propulsores elétricos de baixo impulso conforme a manobra. Ambos recebem propelente de um tanque comum.
O ASCENT é totalmente inofensivo?
A NASA o descreve como propelente de baixa toxicidade e alternativa mais segura à hidrazina. Isso não elimina procedimentos de segurança nem significa impacto ambiental zero.
Quando saberemos se a propulsão dupla funcionou?
Depois do lançamento, da ativação e das manobras químicas e elétricas previstas ao longo da missão de nove meses. Testes de solo, sozinhos, não comprovam o desempenho integrado em órbita.
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